domingo, 29 de março de 2009

Incerto - 2009

INCERTO

o que será que sou
sem saber ao menos o que seria

Seria sensato ter um momento de lucidez
trazer de volta a tona o
sabor de um romance ideal
trazer de volta a tona
o impacto de uma idéia colossal

Tento me concentrar
mas nada acerta
me desconcentro do incerto
cheio de certezas

minha cabeça gira,
meu corpo cala
e minha mente pira

será que sou eu ?
será que um dia saberei quem sou ?

só sei ao certo uma coisa
sou eu, somente eu..

sábado, 28 de março de 2009

Pobres Homens Humanos - 2001

Nem tudo é poesia
Um mero farol
Para um coração atracar.
Uma discordância sentimental
Na arte de amar

Tento falar ela me adoece
Nem todas as figuras são falantes.
Tomo minhas pílulas
E meu corpo adormece
Oh Deus por favor
Me ajude a enxergar a verdade !

Ninguém sorri quando sabe que vai morrer

Ninguém sorri ao ver a bomba
Sobrevoar a cidade.
Sombrias são aquelas noites
Que não escurecem.

São os pobres homens humanos
Que passam, ficam e contam
Os corpos no chão.
Vítimas da guerra urbana
Contra o seu próprio medo.
Nada melhor do que sentir-se
Vivo ao cair na solidão
Uma nuvem que carrega
A flor com o rabo
E o espinho do escorpião.

Você está feliz ?
Estou triste por não poder voar com os pássaros
E não correr sob os oceanos

Tive a minha chance
Mas não aproveitei
Como seria ser um mutante?
Um homem de formas e gritos
Princípios discretos ou palhaços

Apenas passo
Como o vento que sopra seus cabelos.

Você Pode - 2000

Você pode me ouvir ?
A tanto tempo tentando
Explicar o meu medo
De beijar a chuva seca

Você pode me ver ?
Sentir a batida
Do meu coração
Com o andar e voar dos belos pássaros

Sozinho na ultima ilha
Da ligação entre o seu,
E o meu
Da ultima conexão
entre o céu e a terra
O último elo perdido
De paz entre as guerras.

Meu navio está partindo
Tenho que voltar pra casa
Comigo carrego a lembrança
Do acaso, do caminho e do nada.

Eu estou chamando por você
Vendo o que seus olhos teimam em ver
Você está me ouvindo ?
O som da minha voz,
Olhando no seu interior
Te sentindo
Te acariciando
Te consumindo

Certamente ao te ouvir
Não percebem o som
Aquele que joga
em nossos pensamentos
Aquele que apaga
As palavras finais
Do nosso julgamento

Olhe - 1999

Olhe - 1999

Olhe para aquilo que não se vê
E sinta
O cheiro e o carinho
De um leve perfume de rosas

Olhe para o céu e veja
O caminho que te segue
Estampado nas estrelas
A brilhar no horizonte

Olhe para a cinza da fogueira
E veja a cor que o verde absorve
Do azul, da natureza
Olhe para o espelho e veja
A beleza de um corpo nu

Olhe para a rua e sinta
A angústia
Dos menos favorecidos
E a tragédia
Dos mais desesperados

Abra os olhos e veja
Sinta e viva
O caminho daqueles
Que sonham acordado.